AZULEJARIA

Painel de Azulejos Arte Nova em Quiosque de Jardim Roque Gameiro

Conjunto de seis painéis polícromos, com a dimensão de 3×5 azulejos, cujas representações figurativas, de cores intensas e contrastantes, com linhas sinuosas e ritmos ondulantes, evidenciam o gosto naturalista e sensual da estética Arte Nova. Cada painel apresenta uma legenda em maiúsculas, nomeadamente “A AREIA”, “O MAR”, “O ROCHEDO” “A GAIVOTA”, “A ONDA” e “O BÚZIO”, estando aplicados aos pares em cada uma das fachadas de um quiosque de jardim, que funciona como posto de venda da Carris, no Jardim Roque Gameiro, ao Cais do Sodré.

 

Datados de 1916 e assinados por Pinto, apelido do pintor José António Jorge Pinto, a sua produção encontra-se atribuída à Fábrica de Campolide. Três destes painéis apresentam alguns elementos azulejares em falta.

Localização: Jardim Roque Gameiro, Quiosque Carris, Lisboa

Azulejos da Estação de Metro do Cais do Sodré

A estação de metro do Cais do Sodré, (Linha Verde), inaugurada em Abril de 1998, traduz uma das mais importantes do sistema de transportes de Lisboa, pois permite efetuar a correspondência direta entre o metropolitano, o caminho-de-ferro suburbano (Linha de Cascais) e o transporte fluvial.

 

Com projeto do arquiteto Nuno Teotónio Pereira, a intervenção plástica ficou a cargo de António Dacosta, pintor surrealista e depois abstrato que, antes de falecer, deixou alguns esboços para a estação do Cais do Sodré, os quais foram integrados na estação segundo a interpretação do pintor Pedro Morais.

 

Grandes painéis de azulejos representando um coelho apressado, que evoca uma das personagens do clássico da literatura universal “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll, podem ser observados no cais da estação, enquanto uma superfície curva de azulejos azuis, por onde, pontualmente, correm lençóis de água, é visível sob as escadas de acesso ao exterior.

 

Propriedade do Metropolitano de Lisboa. Fotografia de Arnaldo Sousa, datada de 1998.

 

Localização: Avenida Vinte e Quatro de Julho, Estação de Metro, Lisboa

Painéis de Azulejos da Fachada de Antiga Fábrica/Loja de Tintas e Pincéis

Revestimento azulejar polícromo circunscrito ao piso térreo de um edifício pombalino, entre a cantaria do soco e a do friso de transição para o piso superior, onde painéis dispostos verticalmente e interligados na parte superior se encontram organizados em torno dos vãos do r/c, formando dois conjuntos separados por uma larga pilastra.

 

Datados do primeiro quartel do séc. XX, foram pintados por António Luís de Jesus, com recurso à técnica da faiança, na Fábrica de Campo de Ourique, traduzindo um arrojado grafismo Arte Nova pouco comum em Lisboa. A sua temática, alusiva ao espaço de então, uma antiga fábrica/loja de tintas e pincéis, está bem patente nos referidos painéis, que exibem medalhões circulares e ovais, inscritos em emolduramentos simétricos, de gramática vegetalista e tratamento formal Arte Nova. O azulejo surge, assim, utilizado não só como elemento decorativo, mas também como meio identificativo da fábrica/loja e publicitário dos produtos da mesma. O conjunto à esquerda da pilastra é constituído por três painéis verticais, de fundo amarelo, onde se inscrevem cartelas vegetalistas de linhas estilizadas e ondulantes, as quais, no painel central, mais largo, germinam numa flor e enquadram um medalhão com a representação em trompe-l’oeil de um conjunto de trinchas penduradas numa escápula. A encimar o conjunto, um estreito painel horizontal, de fundo azul, desenvolve as mesmas sinuosidades vegetalistas e, recorrendo uma vez mais à ilusão da pintura, evidencia ao centro uma placa circular, semelhante às de metal moldado, relevado e aparafusado, da marca registada: “ZEBRA” e “BEST PORTLAND CEMENT”, “TRADE MARK”, “BELGIUM”, que emoldura uma representação do referido animal. O conjunto de painéis à direita da pilastra segue a mesma lógica e tipo de representação gráfica e estilística. O painel horizontal superior exibe apenas o dinamismo sinuoso vegetalista do outro conjunto, enquanto os painéis verticais evidenciam o mesmo género de cartelas vegetalistas a emoldurar medalhões figurativos. O medalhão da esquerda, à semelhança de um registo fotográfico, representa um aspeto da fábrica em laboração, numa composição em azul e branco. Por sua vez, o medalhão da direita representa, em trompe-l’oeil, produtos da marca “POMBA”, como trinchas, pincéis, frascos, latas e outras embalagens. A sobrepujar este último medalhão, inscrita numa cartela de cor branca, surge outra placa circular com a “MARCA REGISTADA/POMBA”, que enquadra uma representação da referida ave. Mais tarde, na década de 90 do séc. XX, dois painéis verticais, inacabados, foram acrescentados ao conjunto, possivelmente para colmatar a destruição dos painéis originais. Alusivos à nova atividade do espaço, uma agência de viagens, os seus medalhões centrais foram, entretanto, substituídos por composições representativas dos utensílios e materiais da fábrica/loja anteriormente referidos.

Localização: Largo do Corpo Santo, 19-23, Lisboa

Painel de Azulejos “Dança”

Painel de azulejos, intitulado “Dança”, reveste o muro circundante do largo localizado junto à Rua Marcos Portugal.

 

Esta intervenção artística urbana, da autoria de Menez, foi executada na Galeria Ratton Cerâmicas, em 1993. Trata-se de uma composição organizada segundo planos horizontais, onde as formas femininas, que dançam, sobressaem do fundo branco do painel em resultado da sua envolvência por manchas de elementos florais, pintados em tons de azul sobre branco, que preenchem o espaço entre as figuras, apresentando um grafismo de grande dinamismo e leveza, caraterísticas muito próprias da pintura da artista.

Localização: Rua Marcos Portugal; Largo Agostinho da Silva, Lisboa

Registo de Azulejos com Nossa Senhora da Conceição

Registo de azulejos rococó, datado da segunda metade do séc. XVIII, possivelmente de finais do mesmo, pontua fachada de edifício na Rua da Cruz dos Poiais, nº 63, ao nível do 1º andar, localizado superiormente entre os vãos das janelas.

 

Com uma dimensão de 6×4 azulejos, apresenta perímetro recortado no topo e na metade superior das faces laterais, sendo retilíneo no perímetro restante. Este registo, pintado em azul sobre branco, exibe na reserva a imagem de Nossa Senhora da Conceição, representada envolta em nuvens e acompanhada por quatro anjinhos, com uma auréola de nove estrelas, as mãos postas em oração, de pé sobre o globo e sobre o crescente lunar invertido a pisar as forças do mal, traduzidas na figura da serpente. A envolver a figura central, uma moldura de grande dinamismo constituída por concheados, enrolamentos e elementos vegetalistas muito ondulantes, que insinuam movimento.

 

Enquanto o topo do registo é rematado ao centro por um grande elemento concheado, cujas terminações laterais salientes sugerem o ornato “asa de morcego”, a sua base retilínea, simulando cantaria, surge decorada por concheados, que formam pequena cartela central com uma inscrição, a qual poderá corresponder ao nome do encomendador: “Pr [=Por?] / A santos”.

Localização: Rua da Cruz dos Poiais, 63, Lisboa

Registo de Azulejos com Nossa Senhora do Rosário

Registo votivo rococó, datado da segunda metade do século XVIII, pontua a fachada do edifício sito na Rua do Norte, 48-52, colocado ao nível do 1º andar, entre dois vãos de janelas de sacada.

 

De perímetro recortado em três faces e retilíneo na base, com uma dimensão de 12×8 azulejos, traduz um trompe-l’oeil de espaldar de fontanário em azulejo. A reserva, pintada em azul sobre branco, invocando Nossa Senhora do Rosário com o Menino, representados sobre nuvens e envoltos num rosário de grande dimensão, surge enquadrada por emolduramento polícromo, em tons de manganês, amarelo e pequenos apontamentos de azul, decorado com grande dinamismo pelo recurso a motivos como “asas de morcego”, concheados largos, enrolamentos e volutas, encontrando-se encimado por cruz central e rematado, nos cantos, por dois elementos, que poderiam ter sido duas urnas.

 

A base do registo sugere estrutura de cantaria marmoreada, em manganês sobre branco, onde assenta a moldura, sendo interrompida, ao centro, por pequena reserva oval, à semelhança de um medalhão, pintada em azul sobre branco e delimitada em amarelo, invocando São Marçal, representado com vestes de bispo e os seus atributos, mitra, dalmática e báculo, fazendo com a mão direita o sinal de bênção.

Localização: Rua do Norte, 48-52, Lisboa

Registo de Azulejos com a Sagrada Família no Regresso do Egipto

Registo de azulejos rococó, datado do terceiro quartel do séc. XVIII, pontua a fachada do edifício na Rua do Vale, ao nível do 1º andar, sobre o lintel da porta nº 16.

 

De perímetro retilíneo, com uma dimensão de 6×5 azulejos, este registo, pintado em azul sobre branco, representa a Sagrada Família no Regresso do Egipto – o Menino Jesus ladeado por Nossa Senhora e São José, acompanhados pela Pomba do Espírito Santo, que voa sobre eles. Como enquadramento, o registo apresenta uma fina moldura de estrutura arquitetónica caracterizada por um grande dinamismo decorativo. A base retilínea surge decorada por dinâmicas volutas e elementos vegetalistas, exibindo cabeça alada de anjo ao centro. As pilastras laterais, decoradas por folhas de palma e ligeiros concheados, surgem rematadas por largos fogaréus. No topo, a unir as pilastras, dois concheados formam um arco recortado, exibindo ornatos “asa de morcego”, na sua face interna.

Localização: Rua do Vale, 16, Lisboa

Registo de Azulejos com São Marçal

Registo votivo barroco, datado de meados do séc. XVIII, pontua a fachada do edifício de arquitetura civil vernacular, sito na Rua da Atalaia, Bairro Alto, colocado ao nível do 1º andar, por cima do vão da porta nº 209.

 

De perímetro retilíneo em três faces e recortado no topo, com uma dimensão de 7×5 azulejos, este registo, pintado em azul sobre branco, invoca, na reserva, a figura de São Marçal, santo protetor contra os incêndios, envergando as vestes de bispo com os seus atributos, mitra, dalmática e báculo, fazendo com a mão direita o sinal de bênção, representado sobre peanha desenvolvida a partir do limite exterior da base do registo, com uma inscrição em maiúsculas, “S. MARCAL”, evidenciando edifício em chamas e paisagem com árvores em segundo plano. A envolver a reserva está uma moldura, simulando talha, decorada com folhas de acanto e rematada, no topo, por enrolamentos das referidas folhas, ao centro, e fogaréus nos cantos.

Localização: Rua da Atalaia, 209, Lisboa

Revestimento Azulejar da Fachada de Edifício

Revestimento da totalidade da fachada do edifício localizado na Rua de São Bento, 326-330, com azulejos produzidos na Fábrica de Cerâmica Viúva de Lamego, pintados à trincha e inspirados nos antigos motivos enxaquetados.

 

O pintor e ceramista Manuel Cargaleiro, autor desta intervenção, datada de 1984, procurou criar um interessante jogo visual, onde cada unidade azulejar evidencia duas cores, azul e branca, alternadas e compartimentadas pelas diagonais, sugerindo a ilusão de uma malha axadrezada resultante da aplicação alternada de azulejos de uma ou de outra cor.

Localização: Rua de São Bento, 326-330, Lisboa

Revestimento Azulejar identificativo publicitário da Fachada da Casa dos Parafusos

Revestimento azulejar identificativo-publicitário da fachada da “Casa dos Parafusos” traduz composição, numa gramática Arte Deco, composta por azulejos polícromos, tons de branco, azul e carmim sobre amarelo, que faz referência à atividade comercial do estabelecimento, através da representação de parafusos e porcas pintados em “trompe-l’oeil”, que constituem os caracteres da palavra “PARAFUSOS”, presente na designação da referida loja.

 

Os azulejos, possivelmente aerografados, foram produzidos na Fábrica de Cerâmica Lusitânia, no início do séc. XX (entre 1920-1930). Esta composição surge enquadrada por friso de “meia-cana”, esmaltado a verde.

Localização: Rua da Boavista, 186, Lisboa

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