EDIFÍCIOS

Alteração de Edifício de Habitação na Calçada do Combro, 125-129

O projeto de alteração do edifício de habitação designado por Edifício Condessa do Rio, da autoria do arquiteto João Carrilho da Graça, foi objeto de distinção com o Prémio Valmor e Municipal de Arquitetura de 2010.

Localização: Calçada do Combro, 125-129; Travessa da Condessa do Rio, 7-9, Lisboa

Edifício de Habitação na Rua Cecílio de Sousa, 52 (duas salas no 1º andar)

Imóvel de arquitetura corrente, cujo interesse reside nas duas salas do primeiro andar, decoradas com pinturas. Foi classificado como Imóvel de Interesse Público devido aos tetos pintados das duas salas do 1º andar.

Localização: Rua Cecílio de Sousa, 52-56, Lisboa

Edifício de Habitação na Rua das Chagas, 18-20

Edifício do final de Oitocentos, destaca-se pela presença de um saguão coberto, central, de forma oblonga, para onde abrem os vãos de iluminação do interior dos fogos e da caixa de escada.

Localização: Rua da Horta Seca, Janelas; Rua das Chagas, 18-20, Lisboa

Edifício de Habitação na Travessa André Valente, 13-19

Classificado como Imóvel de Interesse Público, este edifício de dois andares, datado do séc. XVII, com uma pequena capela ao nível do piso térreo, merece destaque pelo revestimento azulejar interior, que exibe espécies raras de azulejos do séc. XVII ao séc. XIX. Evidenciam-se os painéis seiscentistas de azulejos polícromos, que representam cenas de batalhas, terrestres e marítimas, da Guerra da Restauração.

Localização: Travessa André Valente, 13-19, Lisboa

Edifício dos Banhos de São Paulo

Mandado construir pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, a partir de 1850, sob projeto de Pézerat, o edifício dos Banhos de São Paulo tinha por objetivo aproveitar uma nascente de águas medicinais que havia sido descoberta junto à ala Poente da Praça do Comércio. Traduzindo uma linguagem tardo-neoclássica, é um edifício de grande solidez, elegância e simplicidade, apresentando planta retangular, organizada em torno de um pátio central, coberto por clarabóia com estrutura de ferro, cuja fachada principal, ampla, surge desenvolvida em 2 pisos, ritmados verticalmente por pilastras, e rematada por platibanda e frontão triangular reto. Ao nível da cobertura é visível o volume cúbico do antigo depósito de água, assim como a alta chaminé cilíndrica das caldeiras, construídas em tijolo. No interior, dispunha de 59 tinas e possuía os equipamentos mais modernos para a época, sendo considerado um dos melhores da Europa.

 

Este balneário serviu a população lisboeta até 1975, data em que foi encerrado ao público, em virtude dos índices de poluição da fonte abastecedora. Após várias vicissitudes, este edifício, classificado como Imóvel de Interesse Público, foi cedido, em 1990, pela Câmara Municipal de Lisboa à Ordem dos Arquitetos, que aí instalou a sua sede, após as necessárias obras de adaptação, segundo projeto dos arquitetos Graça Dias e Egas Vieira.

Localização: Travessa do Carvalho, 21-25; Rua da Ribeira Nova, 50, Lisboa

Fábrica Metalúrgica “Vulcano e Colares” (antiga)

A sua construção remonta ao princípio do século XX, devendo-se o seu grande desenvolvimento a José Pedro Collares e seu irmão. Apresenta uma interessante fachada, onde a utilização do ferro permitiu rasgar amplos vãos para iluminação do interior. Os gradeamentos, em ferro forjado, remetem para referências Arte Nova. Esta fábrica passou mais tarde a ser a “Companhia Perseverança”.

Localização: Largo do Conde Barão, 13-14, Lisboa

Palácio Braamcamp Freire

Primitivamente existia no local, no séc. XVI, o Palácio dos Condes de Soure. O séc. XVII e o início do séc. XVIII são de esplendor na vivência deste palácio. Em 1760, após várias obras, reconverte-se na Casa da Ópera. No séc. XIX, (1879), os terrenos que circundavam o palácio vêm à posse do Conselheiro Anselmo Braamcamp, que ergue o seu belo palácio, onde viveu e morreu. No séc. XX, de propriedade do Governo francês, é transformado na Escola Francesa do Pátio do Tijolo.

 

Entretanto, propriedade da Câmara Municipal de Lisboa, foram aí instalados alguns serviços da mesma. Em maio de 2009 o palácio foi vendido a particulares.

Localização: Pátio do Tijolo, 25; Travessa do Conde de Soure, 22, Lisboa

Palácio Cabral

Propriedade dos Figueiredo Cabral, Senhores de Belmonte, este palácio setecentista traduz uma arquitetura barroca e pombalina, tendo conhecido beneficiações após o terramoto de 1755.

 

Classificado como Imóvel de Interesse Público, apresenta planta em T e fachada, dividida por pilastras lisas em 4 panos desiguais de muro, rasgada por portas com molduras de cantaria e janelas de peito gradeadas, no piso térreo, e por janelas de sacada, com grades em ferro forjado e verga de arco abatido, no andar nobre, encontrando-se rematada superiormente por uma cornija e balaustrada em cerâmica. No interior, merecem destaque: a escadaria nobre, revestida por silhares de azulejos azuis e brancos e guarda de ferro forjado com elementos de ferro fundido; os trabalhos de estuque relevados, observáveis nos tetos de algumas salas e nas paredes da capela, atribuídos a Grossi; os azulejos setecentistas, de vários padrões; os painéis de pintura na capela assinados por João Pedro e João Carlos Binhetti; e a pintura heráldica e decorativa de alguns tetos.

 

Atualmente, encontra-se instalada neste imóvel a Junta de Freguesia da Misericórdia.

 

Localização: Largo Doutor António de Sousa Macedo, 7-7D, Lisboa

Palácio da Flor da Murta

A origem deste palácio tem por base uma casa nobre quinhentista, progressivamente reedificada ao longo dos séculos XVII e XVIII, nas mãos da família dos Meneses, senhores da Flor da Murta, facto que lhe imprimiu a sua feição atual, barroca. Apesar de pouco afetado pelo terramoto de 1755, o edifício acabou por cair em ruína. Alvo de uma intervenção recente de reconstrução de todo o interior, atualmente mantém apenas a fachada original, à qual foi acrescentado um piso superior. Já no século XX foi desafetada a capela, de invocação de Nossa Senhora de Monserrate, da qual resta o portal encimado por frontão triangular e cruz, na fachada lateral e, mais tarde, foram também removidos alguns painéis de azulejos.

Localização: Rua de São Bento, 2-4; Rua Poço dos Negros, 150; Rua Fresca, 15, Lisboa

Palácio do Calhariz

Foi edificado no início do séc. XVIII, sendo mais tarde reedificado e ampliado (séc. XIX), mantendo-se no entanto o mesmo traçado arquitetónico. À história do palácio registam-se diferentes funções, desde aristocrática, política, local a mundana. A partir de 1947 passou para a posse da Caixa Geral de Depósitos, tendo sido ligado por um arco ao vizinho Palácio Sobral.

 

Sofreu obras de recuperação em 1997 com projeto dos arquitetos Dante Macedo, Conceição Macedo e José Afonso, para albergar a Companhia de Seguros Fidelidade, o que lhe valeu a atribuição do Prémio Eugénio dos Santos referente a esse ano.

Localização: Largo do Calhariz, 26-34; Rua da Atalaia, 1; Travessa das Mercês, 1-3; Rua da Rosa, 2-12, Lisboa

Palácio Almada-Carvalhais

O Palácio Almada-Carvalhais, que pertenceu aos provedores da Casa da Índia, foi mandado construir no século XVI, (cerca de 1545), por Rui Fernandes de Almada, banqueiro e feitor da Flandres. Sofreu sucessivas fases construtivas e decorativas até ao século XVIII, traduzindo uma arquitetura renascentista e barroca, estando classificado como Monumento Nacional. De planta retangular e volumetria escalonada, desenvolve-se em 3 pisos, em torno de um pátio interior renascentista, com as suas colunas e capitéis de decoração vegetalista e antropomórfica. De Quinhentos é também a torre de cantaria, no extremo do alçado principal, sob a qual existe um túnel abobadado que liga o exterior ao referido pátio. É ainda de salientar a janela de sacada encimada pela pedra de armas dos Almadas.

 

Da segunda metade de Setecentos destacam-se a decoração com estuques de vários tetos, os silhares de azulejos em vários compartimentos e a escadaria monumental que, do topo nascente do pátio, através de 3 lanços, conduz aos pisos superiores do palácio.

 

No século XX, o espaço do palácio foi fragmentado e ocupado por diferentes entidades. O jardim a tardoz foi convertido, na década de 20, em garagem e estação de serviço, enquanto o túnel de acesso sob a torre foi prolongado, atravessando a antiga cozinha, até ao logradouro.

Localização: Largo do Conde Barão, 48-57; Rua das Gaivotas, 1-3, Lisboa

Palácio das Chagas ou Sandomil (dois tetos)

Edifício setecentista construído no 2º quartel do séc. XVIII que, à data do terramoto era propriedade do Conde de Sandomil, não tendo sofrido danos maiores com o cataclismo.

 

O interesse deste palácio, classificado como Imóvel de Interesse Público, reside em dois compartimentos do piso nobre: um salão de planta retangular, localizado na esquina do edifício, e uma sala contígua de planta quadrangular, dos quais se destacam, em termos artísticos, o teto apainelado do salão e a abóbada abatida da sala, ambos estucados e exibindo pinturas decorativas da autoria de Pedro Alexandrino, traduzidas em medalhões, evocativos de cenas da mitologia grega, enquadrados por motivos vegetalistas e arquitetónicos (salão) e figuras de ninfas e sereias (sala contígua). Algumas das suas dependências possuem silhares de azulejos setecentistas.

Localização: Largo do Calhariz, 1-4; Rua das Chagas, 35-47, Lisboa

Palácio do Bichinho de Conta

Este Palácio seiscentista foi pertença da família Monteiro Paim, mais tarde Condes de Alva, tendo mudado de proprietário no final do séc. XIX, quando foi adquirido por Leopoldo Wagner que nele habitou em simultâneo com a família Pita e Castro, a quem arrendara parte do imóvel.

 

Atualmente é ocupado por uma loja de design e decoração e ateliers de arquitetura e alta-costura.

 

Com uma linguagem arquitetónica harmoniosa e discreta, desenvolve-se em 3 pisos, tendo o último sido um acrescento do séc. XIX. O piso térreo abre-se em portas de variados tamanhos e vãos de intervalo regular. A porta principal e a janela do 1º andar, ligadas diretamente, formam um conjunto com dois pináculos incrustados na parede, ladeando a sacada. A sua frontaria principal surge rasgada, a um ritmo regular e elegante, por janelas de sacada corrida ao longo da fachada. Exibe duas altas chaminés e através de um jardim murado torneja para a meia-laranja da Rua do Século.

Localização: Rua de O Século, 102-114, Lisboa

Palácio do Manteigueiro

Também conhecido como Palácio Condeixa, foi edificado em finais do séc. XVIII. Deve-se ao arquiteto pombalino Manuel Caetano de Sousa o seu plano de construção. Com uma arquitetura setecentista imponente, o palácio passou de residência a sede da Assembleia Lisbonense (1º quartel do séc. XIX) e, atualmente, é ocupado pelo Ministério da Energia.

Localização: Rua da Emenda, 87-91; Rua da Horta Seca, 13-19, Lisboa

Palácio Monteiro-Mor ou Palácio Marim-Olhão

Mandado edificar, no 2º quartel do séc. XVIII, pela família Melo e Cunha, posteriormente Condes de Castro Marim e Marqueses de Olhão, o palácio manteve-se na sua posse por largos anos (até 1922). Diversas vicissitudes impediram que o palácio fosse concluído, (alterações no seio da família proprietária, questões económicas, o Terramoto de 1755), e obras sucessivas nos séculos XIX e XX, assim como utilizações posteriores foram alterando a lógica do palácio. No início do séc. XIX, (1801), aqui esteve instalado o Correio Geral do Reino, transferido do Palácio Penafiel, que lhe valeu a designação de Palácio dos Correios Velhos, pela qual também ficou conhecido. Os jornais “A Revolução de Setembro” e “A Batalha” ocuparam o imóvel, respetivamente, entre 1840-1892 e no início do séc. XX.

 

Adquirido pela Câmara Municipal de Lisboa, foi elaborado, no final do séc. XX, o Projeto Integrado do Palácio Marim-Olhão, com o objectivo de reabilitar e reconverter o imóvel. Atualmente é gerido pela EGEAC, tendo uma função predominantemente cultural. Este imóvel encontra-se Em Vias de Classificação.

Localização: Calçada do Combro, 38 a 38-J; Rua de O Século, 2-A a 2-E; Travessa das Mercês, 19-A a 31, Lisboa

Palácio do Conde-Barão de Alvito

Trata-se de um edifício palaciano, de arquitetura chã, construído em finais do século XVI e transformado em 1606, sofrendo alguns restauros nos séculos XVIII, XIX e 1ª metade do século XX. Foi residência dos Barões de Alvito (mais tarde Condes-Barões), que o abandonaram logo a seguir ao terramoto de 1755, passando o edifício por diversas mãos. Contudo, a memória da família ali se perpetuou, dando o nome ao largo que posteriormente se formou frente ao palácio. Possui uma extensa fachada de acentuada horizontalidade, tornejando a Ocidente para a Rua dos Mastros.

 

A fachada principal apresenta-se visualmente bipartida; o corpo principal é ritmado por uma sucessão de nove vãos de janela de sacada de lintel rematado em cornija, com gradeamentos de ferro fundido com coroamento de pinhas de ferro fundido, no 2º andar e de peito no 1º, sucessão interrompida no 6º vão pela bandeira de lintel curvo da porta principal, gradeada a ferro forjado. Quebrado pela ligeira inflexão que é demarcada pela imponente pilastra de cantaria, surge o pano onde se abrem seis vãos por piso com a mesma leitura da anterior. Este corpo é composto por um último piso sobre beirado de telha de canudo. A Ocidente, a solução anterior é repetida nos cinco vãos por piso que a fachada apresenta. O tardoz do edifício, irregular e mais pobre, abre-se para o antigo jardim. O palácio mantém uma presença urbanística ímpar e é uma referência memorial insubstituível.

Localização: Largo do Conde Barão, 43-47A; Rua dos Mastros, 2-2ª, Lisboa

Palácio do Cunhal das Bolas

Palácio construído no séc. XVI por um judeu abastado, subsistindo da sua construção primitiva dois cunhais incompletos com decoração de pedra relevada em meias esferas, no sentido de representar pomos de ouro, inserida nos conceitos arquitetónicos da época (Casa dos Bicos, Casa das Conchas). Pensa-se que as ”bolas” teriam sido pintadas a ouro, no entanto, o tempo encarregou-se de fazer desaparecer a pintura. No séc. XVII, o palácio era propriedade da família Melo e Castro e o Conde da Ericeira, seu inquilino, em 1696, converteu-o em local de tertúlias culturais e literárias. Depois de ter acolhido, no início do séc. XIX, o Geral do Cunhal das Bolas, estabelecimento de ensino secundário, e o Colégio de Madame Lima é, nos finais do século, convertido no Hospital de São Luís, função que mantém até hoje.

 

De salientar que as intervenções sucessivas de que o imóvel foi objeto desde o séc. XVII ao XX não alteraram as suas caraterísticas arcaicas predominantes na tipologia erudita da construção, conservando o palácio o acesso principal por um pátio, a formação de corpos de construção separados e a harmonia ritmada dos vãos nas fachadas.

Localização: Rua Luz Soriano, 178-182; Cunhal das Bolas, Palácio Cunhal das Bolas, Lisboa

Palácio dos Condes de Mesquitela

Edificado no séc. XVII por iniciativa da família Sousa de Macedo, a qual, no séc. XVIII, viria a adquirir o título de Condes de Mesquitela, advindo daí a designação do palácio. Recuperado e restaurado no pós-terramoto e século seguinte, passou a acolher vários estabelecimentos de ensino.

 

Classificado como Imóvel de Interesse Público, a sua linguagem arquitetónica traduz um passado de três séculos, evidenciando-se o portal, o cunhal brasonados e a fenestração ritmada. Destacam-se no seu interior os alisares de mármore rosa e os tetos de tabuado à portuguesa seiscentistas, assim como os painéis de azulejos dos séculos XVII e XVIII. A sua capela encontra-se revestida por azulejos setecentistas e o retábulo do altar, datado da mesma época, é decorado com talha dourada.

Localização: Largo Doutor António de Sousa Macedo, 1-1M; Travessa do Alcaide, MURO; Travessa do Judeu, 4B; Largo Doutor António de Sousa Macedo, 1A-1B; Travessa do Judeu, 4-4ª, Lisboa

Palácio dos Condes de Tomar/Palácio do Marquês de Tomar (Hemeroteca Municipal)

Palácio urbano mandado edificar na 2ª metade do séc. XIX, por iniciativa de António Bernardo da Costa Cabral, 1º conde e 1º marquês de Tomar. De planta em L e volumetria paralelepipédica desenvolve-se em quatro pisos (um deles parcialmente enterrado e outro ao nível da cobertura), cunhais e soco de cantaria articulados com alçados rasgados a ritmo regular, por vãos predominantemente de verga reta destacada. Traduzindo uma linguagem romântica em termos arquitetónicos e artísticos, recorre a soluções decorativas que incluem o estuque, o couro, o vidro pintado e colorido, o reboco pintado, o azulejo e o ferro forjado, entre outros materiais.

 

De cariz residencial na sua origem, acolhe, desde 1973, a Hemeroteca Municipal, uma biblioteca generalista que recebeu as publicações periódicas que estavam à consulta na Biblioteca Municipal Central, reunindo um acervo documental muito valioso e dos mais completos em Portugal.

Localização: Rua de São Pedro de Alcântara, 1-3; Rua do Grémio Lusitano, 1-7, Lisboa

Palácio dos Marqueses de Minas

Construído no séc. XVII, foi a partir do segundo quartel do séc. XVIII residência dos marqueses de Minas, dependendo atualmente da Santa Casa da Misericórdia. O seu exterior continua com as caraterísticas seiscentistas. No interior, destaca-se uma colecção de milhares de azulejos azuis e brancos dos finais do séc. XVIII, que vão desde o átrio de entrada ao andar nobre.

 

Localização: Rua da Rosa, 199-205, Lisboa

Palácio dos Viscondes de Lançada (antigas instalações do Jornal O Século)

As antigas instalações do Jornal “O Século” abrangem dois edifícios na Rua do Século, nomeadamente o 41-59 e o 61-63. O primeiro trata-se do Palácio dos Viscondes de Lançada, sendo o segundo um acrescento posterior ao corpo central do palácio.

 

Construído no séc. XVIII, propriedade de Manuel de Sampaio de Pina e Brederode, avô do Visconde de Lançada, foi durante o século seguinte o espaço de eleição para as primeiras tertúlias da Lisboa romântica, onde encontramos nomes como Almeida Garrett, Júlio de Castilho, Fontes Pereira de Melo, entre outros.

 

Em 1881, o Jornal “O Século” instala-se no palácio, o qual, nos finais do séc. XIX e princípios do séc. XX, é objeto de obras de adaptação, traduzidas em alterações e acrescentos, essencialmente relacionadas com a atividade em questão. O edifício anexo, (nº 61-63), foi acrescentado em 1913.

 

Classificados como Imóvel de Interesse Público, a relevância destes imóveis está intimamente ligada à história da imprensa em Portugal, para além de serem um interessante exemplar da arquitetura do ferro e do ecletismo de finais do séc. XIX e da 1ª metade do séc. XX, conservando, no entanto, algumas caraterísticas da arquitetura palaciana setecentista patentes no corpo central do palácio, na sua entrada principal, na escadaria interior em mármore e nos belos silhares de azulejos que decoram algumas salas.

 

Localização: Rua de O Século, 41-59 e 61-63, Lisboa

Palácio Ludovice

Construído no séc. XVIII, segundo desenho do arquiteto João Frederico Ludovice para sua residência, este edifício pode ser considerado um exemplo arquitetónico típico do barroco tardio nacional, assim como um dos mais importantes exemplos da arquitetura palaciana da Lisboa joanina. 

 

Classificado como Imóvel de Interesse Público, apresenta uma fachada desenvolvida em 5 pisos de altura desigual, rasgada por um portão central decorado com pilastras de cantaria em fiadas sobrepostas e sobrepujado de tímpano, animada por dois janelões centrais ,com emolduramento de cantaria, que abrem para varandas de linhas ondulantes, estando o janelão do piso nobre encimado por uma lápide onde está patente a data da conclusão do imóvel, 1747. Salienta-se ainda a articulação entre janelas de sacada e de peitoril e a alternância de elementos decorativos, nomeadamente o elemento caraterístico da arquitetura joanina ou de Ludovice, uma espécie de frontão liso, que coroa algumas janelas, e áticas triangulares de cantaria, que coroam outras tantas.

 

Objeto de intervenções ao longo do séc. XIX, foi sujeito a obras de transformação, segundo projeto do arquiteto Jorge Segurado, entre 1944-45, no sentido de instalar o Solar do Vinho do Porto no pavimento térreo do edifício. Algumas das salas do imóvel conservam, ainda, silhares de azulejos setecentistas e tetos apainelados com pinturas.

 

Localização: Rua de São Pedro de Alcântara, 39-49; Rua do Diário de Notícias, 144-154; Travessa da Boa-Hora ao Bairro Alto, 2-12; Travessa da Cara, 1-3ª, Lisboa

Palácio Mendia

De aparência solarenga, este palácio setecentista, propriedade dos condes de Mendia, viu o seu interior transformado, nos princípios do século XX, pelo arquiteto Ventura Terra, que lhe substituiu a escadaria em madeira por uma de pedra, larga e nobre, para além de outras intervenções ao nível dos átrios do primeiro piso, enriquecedoras do conjunto.

Localização: Rua das Parreiras, 2-8; Travessa Arrochela, 1-5; Rua da Cruz dos Poiais, 72, Lisboa

Palácio Pombal

Também conhecido por Palácio dos Carvalhos, foi mandado edificar na 1ª metade do séc. XVII, pelo avô de Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal.

Após o terramoto, foi ampliado e melhorado, entre 1760 e 1770, já propriedade do referido Marquês que, segundo alguns autores, terá nascido nesta casa. O palácio manteve-se na posse dos Marqueses de Pombal até ao 5º Marquês. A partir de então, teve início o período de decadência e degradação do imóvel que, no último quartel do séc. XX, conheceu obras de reabilitação.

 

Desenvolvendo-se em piso térreo, ocupado desde 1994 pelo Restaurante Consenso, andar nobre com janelas de sacada, 2º andar com janelas de peitoril e águas furtadas recuadas, este palácio seiscentista traduz uma fachada principal longa, monótona, mas imponente. O corpo central é rasgado por 2 portões nobres, ladeados por 4 candeeiros de braço, a gás, oitocentistas, apresentando escudetes de ferro fundido com o brasão dos Carvalhos e Albuquerques, do 5º Marquês de Pombal. As armas dos Carvalho e Melo, encimadas pela coroa marquesal, pontuam, ainda, esta fachada. Por sua vez, a pedra de armas dos Condes de Oeiras encima o portão de um pequeno pátio.

 

No interior merecem destaque: o património azulejar setecentista; os estuques relevados e policromados, atribuídos a Grossi, estucador e escultor italiano; os motivos escultóricos; e a escadaria nobre. Uma peculiaridade reside na galeria subterrânea que liga o jardim do palácio ao chafariz localizado no largo fronteiro ao edifício. O chafariz, construído segundo projeto de Carlos Mardel, ficou concluído em 1762, assumindo um importante estatuto interventivo no urbanismo de Lisboa, na medida em que, na Rua Formosa (atual Rua do Século), Mardel desenhou uma praça circunscrita a uma planta semicircular para enquadrar o referido chafariz, que surge, centrado ao fundo, encostado a uma alta parede de jardim. De conceção clássica e de grande sobriedade decorativa, assenta numa base de degraus de forma poliginal e carateriza-se por possuir um espaldar de encosto, ostentando tabelas centrais, que forma um elegante pórtico da ordem dórica, composto pela articulação de pilastras simples com capitéis trabalhados linearmente, que sustentam um frontão aberto, encimado por uma concha, a qual equilibra toda a estrutura.

Sobressaindo na monotonia cromática do calcário amarelado do chafariz e da praça, três carrancas de bronze alimentam um tanque de receção de águas pouco profundo, arredondado e saliente.

 

Este conjunto, que abrange o palácio, o largo e o chafariz fronteiro, está classificado como Imóvel de Interesse Público.

 

Localização: Rua do Século, 65-103; Rua da Academia das Ciências, 1-5, Lisboa

Palácio Ratton

Construído no séc XVIII por Jácome Ratton, industrial francês, foi reconstruído em 1816. Ocupado atualmente pelo Tribunal Constitucional, o palácio apresenta-se com fachada de jardim, num estilo neoclassicizante, com um bonito pórtico de entrada. De realçar o trabalho das guardas das janelas de sacada.

Localização: Travessa da Horta, 8; Rua de O Século, 111-113; Travessa da Conceição, Lisboa

Palácio Santiago-Prezado/ Palácio do Conde de Verride/ Palácio de Santa Catarina

Apresentando uma fachada tripartida, de linhas severas, traduz um exemplo das construções mandadas erigir por uma burguesia comercial, sugerindo um compromisso entre a residência burguesa e a fachada de prédio de rendimento.


A génese do Palácio de Santa Catarina, a avaliar pela iconografia existente, remontará à primeira metade do século XVIII. Aí viveu, nos anos 20 de Oitocentos, o barão e visconde de Molelos, Francisco de Paula Silva Tovar, deputado às Cortes Constituintes. Ao longo dos anos conheceu diversos proprietários e foi alvo de sucessivas campanhas de obras. Destaca-se a de 1856, quando Sebastião José de Freitas Júnior, para além de melhoramentos interiores, manda substituir o beirado por platibanda, colocar um pára-raios, incluir na habitação uma loja junto ao cunhal norte, afim de fazer «perfeita symetria com o cunhal opposto» e construir, frente à fachada principal, «um passeio de sette palmos de largura, e sobre este, e com a conveniente altura um gradeamento fechado». A compra do palácio, em 1910, por João Lobo Santiago Gouveia, reflete uma vontade de ascensão social. Feito conde de Verride em 1901, a aquisição de uma casa nobre num local privilegiado, dominando a cidade, como é o Alto de Santa Catarina, serviu bem este propósito. A campanha de obras que imediatamente promove reforça esse desígnio.

 

Exteriormente, são feitas alterações na fachada sul com a substituição das cinco sacadas do andar nobre por uma varanda corrida, suportada por cachorros, a eixo da qual se construiu uma marquise de ferro e vidro saliente que obrigou à reformulação da parte central da varanda corrida do 3º andar.

 

Contudo, é ao nível dos interiores, nas áreas de receção, sobretudo no andar nobre, que domina, certamente, o cunho pessoal do conde de Verride, mas também um gosto mundano muito próprio da época. Em 1939, o palácio é propriedade do poeta João Santiago Prezado e em 1969, a propriedade, então na posse de João Jorge Santiago Corte-Real, é adquirida pela Caixa Geral de Depósitos que no ano seguinte constrói um andar amansardado.

 

Dois edifícios pré-terramoto contíguos a nascente, tornejando da Travessa da Portuguesa para a Rua do Almada, são igualmente comprados pela CGD para ampliação das suas instalações. Demolidos em 1975, em seu lugar foi construído um edifício de linguagem assumidamente contemporânea, do risco do arq. Palma de Melo, que comunica internamente com as caves do palácio.

Localização: Travessa da Portuguesa, 57-57A; Rua de Santa Catarina, 1-7, Lisboa

Palácio Valada-Azambuja

A existência de uma construção palaciana neste local remonta ao séc. XVI. O edifício atual, classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1982, foi totalmente reedificado no pós-terramoto, tendo sofrido obras importantes durante os sécs. XIX e XX, que lhe modificaram o seu caráter original, conservando, no entanto, a imponência setecentista da sua fachada.

 

De espaço residencial, converteu-se em espaço comercial, de serviços e cultural, acolhendo inclusivamente a Biblioteca Municipal Camões. No seu interior são de destacar: o silhar de azulejos azuis e brancos setecentistas, figurando cenas galantes, localizado no átrio de entrada; a decoração com estuques levemente relevados da escadaria de mármore; e os dois registos azulejares, figurando S. Francisco e S. Marçal, do pátio interior.

 

Localização: Largo do Calhariz, 15-19; Rua da Bica Duarte Belo, 71-81; Rua Marechal Saldanha, 30-40, Lisboa

Palácio Paiva de Andrade

Construído no séc. XVIII, o palácio foi doado pela viúva Paiva de Andrade, sua proprietária, à Santa Casa da Misericórdia, para nele ser instalado o “Instituto Luísa Paiva de Andrade”, um recolhimento para 22 meninas, em memória de sua filha Luísa, que havia falecido aos 22 anos.

 

Hoje nele funciona um Centro de Dia, de apoio a idosos, um ginásio e ludoteca para os mais novos. Apresentando uma estrutura tardo-pombalina, reconhecem-se todas as intervenções efetuadas nos séculos XIX e XX.

 

Conserva, ainda, no último andar, o quarto da menina Luísa Andrade, o qual, segundo testamento de sua mãe, deveria ser mantido para sempre no mesmo estado e sem utilização, para além de ser possível observar umas curiosas pinturas de teto, tanto no quarto como na antecâmara.

 

Localização: Rua da Vinha, 48-54; Rua de São Boaventura, 107-111; Travessa do Conde de Soure, 9, Lisboa

Palácio Quintela ou Palácio Carvalho Monteiro

Construído por iniciativa da família dos barões de Quintela, em finais do séc. XVIII, sobre as ruínas do Palácio do Marquês de Valença, destruído por um incêndio, em 1726, traduz um exemplar de arquitetura residencial pombalina, caraterizado por um ecletismo de matriz neo-clássica ou neo-barroca.

 

De planta retangular simples, com dois pequenos pátios interiores, do mesmo formato, a que se adossa um corpo também retangular correspondente às antigas cocheiras, possui jardim murado com pórtico de acesso. As fachadas sóbrias, marcadamente horizontais, surgem ritmadas pela regularidade da fenestração. No alçado principal merece destaque o corpo central, mais avançado, rematado por frontão triangular aberto por óculo circular, ladeado por urnas e fogaréus, no qual se abre um portal, de arco de volta perfeita demarcado na chave, com tímpano de grade, rodeado por revestimento de pedra fundida e ladeado por pilastras com decoração a meia altura.

 

Este palácio está associado a alguns factos e figuras históricas, nomeadamente ao General Junot, que o terá utilizado para sua residência e quartel-general aquando da 1ª invasão francesa, em 1807/1808.

 

O interior foi objeto de uma campanha de remodelação e enriquecimento artístico, dirigida pelo arq. Hildbrandt e pelo cenógrafo e decorador Cinatti, no 1º quartel de Oitocentos, merecendo destaque as alterações estruturais introduzidas, os estuques artísticos e as pinturas a óleo e a fresco de António Manuel da Fonseca e de Wolkmar Machado. No final do séc. XIX o palácio veio à posse da família Carvalho Monteiro e alguns anos depois, por via matrimonial, passou para a Casa Pombal, cuja família aí mantem residência.

 

A Classificação como Imóvel de Interesse Público abrange os jardins, os muros e o pórtico de acesso.

 

Localização: Rua do Alecrim, 56-72; Rua António Maria Cardoso, 31-35; Rua António Maria Cardoso, 37-37ª, Lisboa

Residências do Príncipe Real

Propriedade de SINVAC – Sociedade de Investimentos Imobiliários e Industriais, Lda., este conjunto arquitetónico, projetado pelos arquitetos João Paiva Raposo de Almeida, Pedro de Lancastre Ferreira Pinto e Pedro Emaúz e Silva, foi distinguido com os Prémios Valmor e Municipal de Arquitetura de 1990. O júri justificou a sua decisão pela “(…) qualidade de integração [do projeto] nas respetivas malhas urbanas (…) [e pelo facto de introduzir] de uma forma sensível novos valores numa zona antiga da cidade de Lisboa (…)”.

 

Trata-se de uma intervenção contemporânea na recuperação de um conjunto de edifícios pombalinos, aproveitando volumetrias pré-existentes, reformulando-as, ampliando-as e integrando-as num novo complexo residencial, que retoma a ideia de uma vila lisboeta através da criação de um “condomínio horizontal”, caracterizado por um logradouro comum, acessos independentes às habitações e um conjunto de pátios e terraços individuais.

 

Localização: Rua da Academia das Ciências, 2-2J; Travessa da Horta, 2-6; Rua de O Século, 107-109, Lisboa

Terraços de Bragança

A obra dos Terraços de Bragança veio resolver um vazio espacial de 5 mil metros quadrados, localizado numa zona histórica entre duas vias paralelas com grande desnível entre si (Rua do Alecrim e Rua António Maria Cardoso), acrescido de grande valor patrimonial por conter um pedaço da muralha Fernandina.

 

Este complexo, formado por 5 blocos destinados a habitação, escritórios e comércio teve projeto do arquiteto Siza Vieira, que adotou uma linguagem contemporânea em perfeita harmonia com as métricas da traça urbana envolvente. Vãos ritmados em consonância com os edifícios vizinhos, um piso extra bem enquadrado, utilização de pedra lioz no embasamento, recurso a azulejos azuis para revestimento de fachadas e logradouros que proporcionam uma atmosfera de recolhimento.

 

Distinguido com os Prémios Valmor e Municipal de Arquitetura 2004, o Júri justificou esta atribuição pela importância da obra em termos de enquadramento e reabilitação urbana, pela dificuldade de construir no local, tendo em conta a preservação das ruínas existentes da Muralha Fernandina e pela solução morfológica adotada para fazer face à clivagem topológica e geográfica. O Júri salientou, ainda, a solução de contemporaneidade e de espacialidade interior resolvida em termos escultóricos e cenográficos deste complexo arquitetónico. Este complexo integra a Lisboa Pombalina, que está classificada como Conjunto de Interesse Público.

 

Localização: Rua do Alecrim, 26-30E; Rua António Maria Cardoso, 1-5, Lisboa

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