Este apelo foi o mote para juntar moradores e comerciantes para falar da qualidade de vida dos que vivem e trabalham na Misericórdia, particularmente no Bairro Alto.
Perante uma sala cheia e com a moderação de João Pedro Pincha, jornalista do jornal ‘Público’, a iniciativa contou com um painel de oradores composto por Carla Madeira, presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia, Fabiana Pavel, do CIAUD da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, Rui Costa Fonte, Subintendente da Polícia Municipal de Lisboa, Hilário Castro, da Associação de Comerciantes do Bairro Alto e Fernando Marta, do grupo de cidadãos ‘Fregueses da Freguesia da Misericórdia’.
Durante mais de duas horas, falou-se sobre ruído e o direito ao lugar, tendo o Subintendente Rui Costa Fonte, começado por destacar o empenho da Polícia Municipal de Lisboa em responder às necessidades de fiscalização de forma a cumprir a Lei e garantir o bem-estar do todos.
O responsável pela área operacional da Polícia Municipal, mencionou que devemos de aprender com alguns exemplos vindos de capitais europeias para a resolução de determinados problemas e destacou o trabalho realizado pela Polícia Municipal no território da freguesia, onde, no presente ano, foram levantados 955 autos por violação dos regulamentos do ruído.
Carla Madeira, presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia depois exemplificar que, desde 2013, o ruído e o direito ao descanso dos moradores dominaram a sua vida política, congratulou-se com o empenho dos agentes da Polícia Municipal na fiscalização e levantamento de autos, mas questionou quantas e quais as sanções aplicadas pela CML às 955 infrações detetadas pela Polícia Municipal.
A presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia depois de manifestar a total disponibilidade para unir vontades e encontrar as melhores soluções, reafirmou a necessidade da CML fazer cumprir os regulamentos em vigor, de forma a garantir a qualidade de vida dos residentes e a preservar o necessário comércio de qualidade que resiste e que foi o cartão de visita da cidade.
Hilário Castro, da Associação dos Comerciantes do Bairro Alto, assumiu o empenho da instituição na procura de compromissos sérios para valorizar o território, apelou à compreensão dos moradores e lamentou a falta de vontade da CML em procurar a melhor solução para os problemas que dia a dia se avolumam.
De acordo com o dirigente da ACBA, o fecho da rua da Atalaia, que promove a concentração massiva de milhares de pessoas para além das horas de funcionamento dos estabelecimentos, é um prémio para os que não cumprem as leis em vigor e um passo atrás na qualidade de vida da comunidade residente e dos empresários que procuram manter o comércio de qualidade no território.
Fernando Marta, do grupo de cidadãos, depois de reclamar a necessidade de maior e mais eficaz fiscalização por parte da CML e das entidades policiais, congratulou-se com o trabalho realizado pela Associação de Comerciantes, que se credibilizou junto dos moradores e saudou o trabalho da Junta de Freguesia, realizado com os restantes interlocutores na procura de uma posição conjunta face às propostas da CML que condicionam a vida dos que vivem e partilham o Bairro Alto e a freguesia da Misericórdia.
Fabiana Pavel, do CIAUD da FAUL, começou por abordar as questões relacionados com o excesso de ruído, um problema de saúde pública para depois falar do elevado número de espaços comerciais de diversão noturna e o uso que os seus clientes fazem da via pública, chamando à atenção para a falta de planeamento comercial, que tem levado a numerosos problemas na vivência quotidiana do espaço, por parte dos residentes.
Fabiana Pavel alertou também para o facto de alguns moradores se sentirem intimidados por parte de alguns comerciantes e, tendo medo de retaliações, não atuarem na defesa dos seus direitos. Apesar disso, apelou à subscrição da petição pública, para que o Bairro Alto volte a ser habitável.
Da plateia, vieram exemplos das dificuldades do dia a dia no Bairro Alto, na Rua de São Paulo e em outras freguesias da cidade.
Sem exceção, todos reprovaram o consumo de bebidas alcoólicas na via pública, o ruído e a privação do direito ao descanso. Todos censuraram o fim do comércio tradicional, as dificuldades em manter estabelecimentos de qualidade no território e o desinteresse da Câmara Municipal de Lisboa, que não se mostrou disponível para participar nesta iniciativa.


