Palácio construído no séc. XVI por um judeu abastado, subsistindo da sua construção primitiva dois cunhais incompletos com decoração de pedra relevada em meias esferas, no sentido de representar pomos de ouro, inserida nos conceitos arquitetónicos da época (Casa dos Bicos, Casa das Conchas). Pensa-se que as ”bolas” teriam sido pintadas a ouro, no entanto, o tempo encarregou-se de fazer desaparecer a pintura. No séc. XVII, o palácio era propriedade da família Melo e Castro e o Conde da Ericeira, seu inquilino, em 1696, converteu-o em local de tertúlias culturais e literárias. Depois de ter acolhido, no início do séc. XIX, o Geral do Cunhal das Bolas, estabelecimento de ensino secundário, e o Colégio de Madame Lima é, nos finais do século, convertido no Hospital de São Luís, função que mantém até hoje.
De salientar que as intervenções sucessivas de que o imóvel foi objeto desde o séc. XVII ao XX não alteraram as suas caraterísticas arcaicas predominantes na tipologia erudita da construção, conservando o palácio o acesso principal por um pátio, a formação de corpos de construção separados e a harmonia ritmada dos vãos nas fachadas.
Rua Luz Soriano, 178-182; Cunhal das Bolas, Palácio Cunhal das Bolas, Lisboa


