OPEN CALL 2026
Desterrade: Território, permanência, pertença
Num mundo globalizado tem‑se observado uma maior tendência de movimentação de pessoas. Uma das razões para esse movimento é a vontade de sair do país de origem para construir uma vida num sítio diferente, muitas vezes à procura de melhores condições de trabalho e de vida. No entanto, fatores socioeconómicos, linguísticos ou culturais dificultam a inserção de pessoas e comunidades. Além disso, a proliferação de discursos de ódio e a falta de políticas de inclusão social empurram muitas dessas pessoas para as margens do sistema.
A palavra Desterrado, no dicionário, significa “quem vive longe do seu país de origem”, “que se encontra longe de tudo e de todos”, explicando assim o sentimento de falta de pertença. É neste contexto que a open call “Desterrade” se dedica à experiência de indivíduos ou comunidades migrantes para responder às consequências da emigração e à ausência de políticas de inclusão social.
O tema da open call convocará artistas ou investigadores, cujos trabalhos explorem a conexão humana com o território, neste caso com foco nas consequências dos movimentos migratórios. Seis artistas serão selecionados para participarem numa residência artística com duração de aproximadamente um mês e uma exposição final.
Através da arte, facilitar‑se‑ão meios pedagógicos que permitem à população geral uma análise crítica das suas condições e que promovam solidariedade.
OBJETIVO GERAL
Criar um espaço de diálogo e transformação onde a arte e a investigação sejam utilizadas para:
- Investigar os efeitos psicológicos e sociais dos fluxos migratórios;
- Reforçar a coesão comunitária face às alterações demográficas.
- Envolvimento da Comunidade ao longo do processo.
TEMAS CENTRAIS
Os projetos devem abordar um ou mais dos seguintes tópicos:
- Impacto dos fluxos migratórios nas comunidades locais: Diversidade cultural, desigualdade de acessos, sociabilidade;
- Impacto psicológico e social no indivíduo que migra;
- Coesão comunitária: Estratégias para unir comunidades migrantes e locais.
SELEÇÃO DE ARTISTAS
Um conjunto de 3 jurados: Mama Ganuush - artista; Cosimo Bianchi – investigador; Didi – artista
Critérios de seleção:
- Clareza e relevância no alinhamento do projeto com o tema da Open Call;
- Potencial de impacto comunitário e viabilidade prática;
- Criatividade e inovação na abordagem artística;
- Ser migrante ou ter sido migrante ou trabalhar com indivíduos/comunidades migrantes;
- Projetos artísticos, documentais ou de investigação.
- Candidaturas até 24 de julho de 2026 para o e-mail: cultura@jf-misericordia.pt
FORMATO E DURAÇÃO
- Período da residência: 24 de agosto a 22 de setembro de 2026
- Período da exposição: 25 de setembro a 3 de outubro de 2026
- Local: Freguesia da Misericórdia
- Recursos: Espaço de estúdio e materiais* disponibilizados pela freguesia da Misericórdia.
*Os materiais disponibilizados provêm do Banco de Materiais da Junta de Freguesia e, portanto, são de segunda mão. O seu uso está limitado ao que se encontra atualmente no arquivo, não havendo garantia de reposição ou disponibilidade de itens adicionais.
OS MEMBROS DO JÚRI
Mama Ganuush é cineasta, dançarina, artista drag e organizadora comunitária palestiniana, transgénero e com deficiência, que vive entre São Francisco e Lisboa. É conhecida pelo seu trabalho na defesa dos direitos palestinianos e por utilizar a sua arte para abordar questões de identidade, libertação e resistência anticolonial. É fundadora dos sites JahaFilmFestival.com e Thehalacollective.com.
Cosimo é doutorando em Estudos de Migração na Universidade de Lisboa, onde explora as vulnerabilidades ligadas à (im)mobilidade provocada pelos incêndios florestais através da investigação etnográfica em Portugal e Itália. O seu trabalho mais vasto centra-se na deslocação climática, nas práticas de adaptação e na saúde mental dos menores não acompanhados que atravessam a fronteira entre os EUA e o México. Paralelamente à vida académica, trabalha no ativismo sem fins lucrativos em prol da mobilidade climática através da Plataforma de Jovens e Crianças Migrantes e, recentemente, coordenou o projeto Migrantour Copenhagen, que promove caminhadas interculturais sobre o património migratório, juntamente com workshops participativos antirracistas para estudantes do ensino secundário e universitário.
Di Candido aka DIDI é artista transdisciplinar, integrando no seu trabalho investigação e produção artística-cultural, curadoria, arte-performance e DJing. Com formação em Direito pela Universidade Candido Mendes e mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologia pelo ISCTE – IUL, aborda no seu percurso temas como (re)territorialização coletiva, cibercultura, ecologia e mitologias cuir, identidades e ativismo antirracista, com foco nas comunidades cuir, negras e migrantes na diáspora. Co-fundou a UNA – União Negra das Artes, o Coletivo Afrontosas e a BATEKOO na Europa, e o seu trabalho envolve colaborações com coletivos e artistas da afrodiáspora em projetos culturais, obras artísticas e performances.


