Apresentando uma fachada tripartida, de linhas severas, traduz um exemplo das construções mandadas erigir por uma burguesia comercial, sugerindo um compromisso entre a residência burguesa e a fachada de prédio de rendimento.
A génese do Palácio de Santa Catarina, a avaliar pela iconografia existente, remontará à primeira metade do século XVIII. Aí viveu, nos anos 20 de Oitocentos, o barão e visconde de Molelos, Francisco de Paula Silva Tovar, deputado às Cortes Constituintes. Ao longo dos anos conheceu diversos proprietários e foi alvo de sucessivas campanhas de obras. Destaca-se a de 1856, quando Sebastião José de Freitas Júnior, para além de melhoramentos interiores, manda substituir o beirado por platibanda, colocar um pára-raios, incluir na habitação uma loja junto ao cunhal norte, a fim de fazer «perfeita symetria com o cunhal opposto» e construir, frente à fachada principal, «um passeio de sette palmos de largura, e sobre este, e com a conveniente altura um gradeamento fechado». A compra do palácio, em 1910, por João Lobo Santiago Gouveia, reflete uma vontade de ascensão social. Feito conde de Verride em 1901, a aquisição de uma casa nobre num local privilegiado, dominando a cidade, como é o Alto de Santa Catarina, serviu bem este propósito. A campanha de obras que imediatamente promove reforça esse desígnio.
Exteriormente, são feitas alterações na fachada sul com a substituição das cinco sacadas do andar nobre por uma varanda corrida, suportada por cachorros, a eixo da qual se construiu uma marquise de ferro e vidro saliente que obrigou à reformulação da parte central da varanda corrida do 3.º andar.
Contudo, é ao nível dos interiores, nas áreas de receção, sobretudo no andar nobre, que domina, certamente, o cunho pessoal do conde de Verride, mas também um gosto mundano muito próprio da época. Em 1939, o palácio é propriedade do poeta João Santiago Prezado e em 1969, a propriedade, então na posse de João Jorge Santiago Corte-Real, é adquirida pela Caixa Geral de Depósitos que no ano seguinte constrói um andar amansardado.
Dois edifícios pré-terramoto contíguos a nascente, tornejando da Travessa da Portuguesa para a Rua do Almada, são igualmente comprados pela CGD para ampliação das suas instalações. Demolidos em 1975, em seu lugar foi construído um edifício de linguagem assumidamente contemporânea, do risco do arq. Palma de Melo, que comunica internamente com as caves do palácio.
Travessa da Portuguesa, 57-57A; Rua de Santa Catarina, 1-7, Lisboa


