No próximo dia 15 de setembro, a partir das 17 horas, o Espaço Santa Catarina recebe Welket Bungué para a apresentação do livro ‘Cabaró, Djito Tem!’, a obra poética de seu pai, Paulo Tambá Bungué (1948–2002), cuja influência marca profundamente a sua trajetória no cinema, pensamento e criação artísticos.
O evento contará com a leitura dos poemas, comentários sobre o livro e exibição de um filme selecionado pelo realizador e ator Welket Bungué.
Durante quase três décadas, ‘Cabaró, Djito Tem!’ permaneceu praticamente inacessível ao público. Ainda assim, os seus poemas nunca deixaram de circular. As palavras de Paulo Tambá Bungué sobreviveram através da memória familiar e da trajetória artística de seu filho, Welket Bungué.
Fragmentos da sua escrita inspiraram ou foram diretamente citados em obras como Buôn (2015), Mensagem, Cacheu Cuntum, Latitude Fénix (2025) e Mudança, este último apresentado na Berlinale Expanded em 2020. Antes de regressarem ao papel, estes poemas já tinham atravessado o cinema, a performance, a diáspora e o imaginário de uma nova geração artística.
Nas palavras de Welket Bungué "Este livro mostrou-me desde cedo que o nosso pai permanecia vivo, no espectro das suas palavras potentes, carregadas de profundidade e de sacrifício. Os inúmeros filmes que compõem a minha filmografia são moldados pela poesia e filosofia existencialistas do meu pai."
Mais do que uma reedição, ‘Cabaró, Djito Tem!’ representa um gesto de restituição histórica e afetiva.
A publicação desta nova edição devolve ao espaço público uma obra que dialoga simultaneamente com a história da Guiné-Bissau, as experiências da diáspora africana e as grandes questões universais da condição humana. ‘Cabaró, Djito Tem!’ é, assim, um convite à escuta: a escuta de uma voz que reflete sobre a condição humana e que nos recorda que a verdadeira sabedoria não reside nas respostas definitivas, mas na capacidade de continuar a pensar, dialogar e aprender.
Num tempo marcado pela aceleração, pela fragmentação das memórias e pela instabilidade das narrativas coletivas, os poemas de Paulo Tambá Bungué recordam-nos que a esperança, a dignidade e a responsabilidade continuam a ser formas possíveis de resistência.
A iniciativa conta com o apoio do restaurante Mankooche e do rapper e ativista Carlos Kangoma, com o patrocínio vinhos alentejanos da Herdade Paço do Conde, e ainda a marca de moda novaiorquina criada pelo empresário e modelo Bissau-guineense, Armando Cabral.
A entrada é gratuita e limitada ao número de lugares disponíveis.


