A habitação, ou melhor, a falta dela foi o mote para reunir nas instalações da Junta de Freguesia na Rua D. Luís I, muitos cidadãos interessados, a presidente da Junta da Freguesia da Misericórdia, Carla Madeira, as vogais do Executivo da Junta de Freguesia, Carla Almeida e Luísa Rodrigues, os vereadores da CML, Rui Franco e João Ferreira, Mário Moreira, da Associação de Arquitetos, André Escoval, do ‘Porta a Porta’, Luís Mendes do ‘Morar em Lisboa’ e Luís Paisana, da Associação de Moradores.
As boas-vindas estiveram a cargo de Luísa Rodrigues, vogal do Pelouro da Cultura da Junta de Freguesia que apresentou a iniciativa e a artista Sheila Rocha, que através do trabalho exposto procura incentivar o debate coletivo.
Na “roda de conversa”, as opiniões convergiram ao considerar que a habitação é hoje o principal problema para os lisboetas ou para aqueles que, trabalhando em Lisboa, gostariam de viver na nossa cidade e que a gentrificação é, já hoje, um fenómeno dramático que põe em causa a genuinidade e o futuro da cidade.
Os imóveis devolutos, a necessidade de um plano para a Habitação que responda às necessidades da população, o alojamento local e a especulação imobiliária que continua a levar à “expulsão” de tantas pessoas da cidade e as políticas públicas, foram outros temas abordados.
A encerrar o debate, Carla Madeira historiou a luta da Junta de Freguesia e da população face à “lei Cristas” e o empenho na revisão da lei do arrendamento, a problemática do Alojamento Local ilegal e a falta de fiscalização por parte da CML, as pressões que levaram à consulta pública que ainda decorre e o exemplo do projeto de construção de 45 apartamentos com renda acessível no quarteirão de ‘A Capital’, que foi aprovado em 2020 e que até à data o atual executivo da Câmara Municipal não dá resposta.
A presidente da Junta de Freguesia salientou que, apesar da diversidade de opiniões, é cada vez mais importante unir esforços em torno dos pontos convergentes, de forma a garantir que a Habitação é um direito para todos e não um privilégio de alguns.
Após a “roda de conversa”, os participantes foram convidados a preencher um ‘Postal Coletivo’, para manter o tema Habitação no centro das atenções e suscitar a reflexão.
A exposição ‘Realidade (In)visível’ estará patente até ao dia 10 de abril, na Rua D. Luís I, N.º 21, de segunda a sexta, entre as 14 e as 18 horas.


